domingo, 5 de junho de 2011

Fico sempre com saudade de mim...

          Quando olho pra trás visualizo em minha história diversas fases, cada uma delas com sua devida importância, atitudes realizadas e que jamais poderão ser apagadas. É certo que tudo que passamos faz parte da formação de quem nós somos e da definição de nossa personalidade, nosso caráter.

          A adolescência, por exemplo, é uma fase interessante. Na minha ótica, é uma das fases onde estamos mais abertos para sermos influenciados, seja positiva ou negativamente. Ainda não temos nossos valores tão bem formados e acabamos imitando os que estão mais próximos, fazendo jus à frase “Diga-me com quem tu andas que eu te direi quem tu és”. Claro que isso não é uma regra, mas na minha adolescência foi mais ou menos assim... É imprescindível que tenhamos bons exemplos, a começar dentro de casa, para que não façamos muitas escolhas erradas (algumas acabarão sempre sendo feitas e poderão servir de aprendizado).

        O fato é que o tempo vai passando e, aos poucos, vai ficando mais claro quais são nossos valores inegociáveis, prioridades e por aí vai. Esta clareza deveria nos tornar suficientemente convictos para assumirmos quem verdadeiramente somos, mas a realidade nem sempre é esta.

         A vida costuma ser bastante dura e, quanto mais responsabilidades e obrigações assumimos, parece que mais temos a tendência de esquecermos quem somos. Você já experimentou deixar de ser você mesmo para agradar os outros? Ou já se viu sem condições de ser você mesmo, por não se sentir aceito ou por não se sentir à vontade para isto?

         O título deste texto é uma frase da Clarice Lispector (Fico sempre com saudade de mim). Eu admito que, assim como ela, eu também vivo sentindo saudade de mim. Não é com qualquer pessoa que consigo ser eu mesma. Como conseguir ser você mesmo em um tempo onde impera a superficialidade dos relacionamentos, onde as amizades se estabelecem para satisfazer interesses egoístas?

       Amizades gratuitas e profundas nós contamos nos dedos (de uma mão!). O mais maravilhoso é saber que existem pessoas, mesmo que poucas, que têm o dom de nos ajudar a resgatar quem verdadeiramente somos, inclusive a nos ajudar a perceber onde podemos melhorar. Eu acredito muito no amor que traz à tona nossa essência, amor que cura feridas do passado e que transforma amargura em perdão.

     Infelizmente não encontramos somente flores dentro de nós mesmos. Nosso interior, muitas vezes, é bastante fétido. O bom é saber que a referência que Deus nos deixou é perfeita, exala santidade e nos chama a ser como Ele é. A busca é um caminho diário, exige humildade e arrependimento constante. O importante é ter a consciência de que podemos sempre ser melhores.